Briga por chiclete: há evidência de que piloto que agrediu jovem no DF interferiu em investigações, diz juiz
31/01/2026
(Foto: Reprodução) Piloto que deixou adolescente em coma após briga por chiclete é preso no DF
A Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal prenderam nesta sexta-feira (30) o piloto e empresário Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos.
Na decisão, o juiz da 1ª Vara Criminal de Taguatinga afirmou que há notícias de interferência do piloto nas investigações, com conversas pelas redes sociais, sugerindo a combinação de versões para sustentar uma eventual tese de legítima defesa.
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Pedro Turra é investigado por ter se envolvido em uma briga motivada por um chiclete em Vicente Pires, no Distrito Federal, na sexta-feira passada (23). O adolescente agredido por Pedro Turra está em coma há uma semana.
O magistrado disse ainda que ele cometeu agressões físicas repetidas vezes. A decisão atende um pedido da Polícia Civil e do Ministério Público.
O jovem foi preso na casa da mãe. A polícia também fez buscas na casa de Pedro Turra, em Águas Claras, e apreendeu celulares e itens como facas e soco inglês – que, segundo o delegado, ele usava para amedrontar outras pessoas.
A defesa de Pedro Turra informou que não vai se pronunciar sobre os casos.
Relembre
Pedro Turra é suspeito de agredir adolescente de 16 anos em Vicente Pires.
TV Globo/Reprodução
➡️Há uma semana, o piloto Pedro Turra e o jovem de 16 anos se envolveram em uma briga. A confusão começou por conta de uma brincadeira, em que Pedro jogou um chiclete mascado na direção de outra pessoa
➡️ Turra chegou a ser preso, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Ele foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola.
➡️ Pedro Turra já é investigado por quatro denúncias – duas delas, de episódios anteriores que só foram levados à polícia após a repercussão da briga recente. São três agressões e uma tentativa de dar bebida a uma jovem menor de idade.
Vida da família parou, diz tio da vítima
Tio do jovem, o fisioterapeuta Flavio Henrique Torminn Fleury afirmou em entrevista coletiva – poucas horas antes da prisão – que a vida de toda a família parou desde que o adolescente foi internado.
"O Rodrigo está em estado gravíssimo, continua em estado gravíssimo. Minha irmã, meu cunhado não sabem o que é dormir mais, não sabem o que é casa mais. Meu pai mora em Goiânia, também veio pra cá na semana passada. A família parou para essa situação", afirmou o tio.
"É um menino muito vaidoso, atleta, apaixonado por futebol, muito colado no pai [...] Eu fico imaginando, e aí? Hora que ele acordar, olhar no espelho. Isso dói muito, dói muito pensar nisso", emendou.
Na entrevista, Flávio Fleury classificou a soltura de Pedro Turra após o pagamento da fiança como uma "clara injustiça".
"No último vídeo [da briga], fica nítida a diferença de proporção de corpo, de tamanho. É um menino de 16 anos e um cara de 19 anos, muito maior que ele. Altura, largura, força, isso é fisiológico. Quando você vê isso acontecendo, já dói demais a injustiça de saber que ele não está preso", disse.
Preventiva tinha sido negada
Na quinta (29), a Justiça do Distrito Federal negou um pedido da defesa do jovem agredido pela prisão preventiva de Pedro Turra.
A decisão, assinada pelo juiz Wagno Antonio de Souza, da 2ª Vara Criminal de Taguatinga, se baseia em uma questão processual.
No despacho, o magistrado afirma que, durante a fase de investigação, a defesa da vítima não tem legitimidade para pedir medidas à Justiça. Isso só seria possível após o recebimento da denúncia.
Na mesma decisão, o juiz também negou um pedido da defesa de Turra para que o processo começasse a tramitar em sigilo.
O jovem agredido levou uma série de golpes e bateu a cabeça em um carro, na noite de sexta. Horas depois, foi levado ao hospital, passou por uma cirurgia no crânio e está há seis dias no nível mais profundo de coma, sem expectativa de alta.
“A defesa enxerga como tentativa de homicídio. Basta observar o comportamento pregresso do autor, de praticar luta marcial e sempre bater na cabeça das pessoas – sabendo que com isso pode ocasionar traumatismo craniano, matar pessoas. Se você oferecer a cabeça de alguém contra um objeto rígido, um carro, você assume o risco de matar", afirmou o advogado Albert Halex ao g1.
Quais são os casos em investigação?
Ao todo, quatro ocorrências envolvendo Pedro Turra estão sendo investigadas pela Polícia Civil. São elas:
a agressão da última sexta-feira (24) contra o adolescente de 16 anos;
uma briga em uma praça de Águas Claras, em junho de 2025 (registrada naquele mês);
a denúncia de uma jovem que afirma que Pedro a forçou a ingerir bebida alcoólica quando ela ainda era menor de idade;
e a agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito (veja abaixo).
Vídeo mostra piloto Pedro Turra agredindo homem em meio a discussão em Águas Claras, no DF
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