'Crime da 113 Sul': relator vota para manter anulação da condenação de Adriana Villela no STJ
18/06/2026
(Foto: Reprodução) 'Crime da 113 Sul': STJ anula condenação de Adriana Villela por triplo homicídio
A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) começou a julgar nesta quinta-feira (18) os recursos, apresentados pelo Ministério Público do Distrito Federal contra a decisão de 2025 que anulou a condenação de Adriana Villela.
➡️ Adriana é acusada de ser a mandante do assassinato dos pais e da empregada da família, em 2009, caso que ficou conhecido como o "Crime da 113 Sul". Ela havia sido condenada a 61 anos de prisão em 2023.
O voto do relator do caso, o ministro Sebastião Reis Júnior, já foi apresentado. Ele votou para manter a anulação da condenação de Adriana.
Ainda estão pendentes os votos dos ministros Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão, Nilsoni de Freitas e Og Fernandes. A sessão acontece de modo virtual e, se não houver pedidos de adiamento, permanecerá aberta até 24 de junho.
O que diz o relator
O ministro Sebastião Reis Júnior reafirmou que a disponibilização tardia das mídias com depoimentos que incriminavam a acusada prejudicou sua defesa.
"Em casos como o presente, em que está em jogo a liberdade, a falta de acesso da defesa às mídias com os depoimentos que incriminaram a embargada, configurando cerceamento de defesa e clara ofensa à paridade de armas, o vício permeou não só a primeira, como a segunda fase do procedimento do Tribunal do Júri, terminando por justificar a condenação da acusada", diz o ministro.
Em seu voto, o ministro também acolheu "embargos de declaração" apresentados pela OAB do DF (assistente de acusação), mas apenas para fins de esclarecimentos. Esse é um tipo de recurso usado para tirar dúvidas e permitir que a Corte detalhe os fundamentos da decisão, sem alterar o resultado final.
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Entenda julgamento do STJ
A anulação da condenação foi definida em setembro de 2025, pela Sexta Turma do STJ. Por 3 votos a 2, os ministros acolheram a alegação de que houve cerceamento de defesa ao longo das investigações e do júri popular. O caso foi, então, devolvido à primeira instância.
O Ministério Público do DF recorreu desse entendimento da Sexta Turma e pediu que a condenação de Adriana seja restaurada. São esses recursos do MP que o STJ começou a julgar nesta quinta (18).
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou no STJ de forma favorável aos recursos apresentados pelo MP.
Por que condenação foi anulada?
Adriana Villela no documentário 'Crime da 113 Sul'
TV Globo
A condenação de Adriana Villela foi anulada sob o argumento de que ela não pôde exercer seu pleno direito de defesa durante o júri popular.
Segundo o processo, os vídeos dos depoimentos dos executores do crime só foram disponibilizados aos advogados de Adriana no sétimo dia de julgamento, em 29 de setembro de 2019.
📌 Os vídeos desses depoimentos foram exibidos em primeira mão no documentário "Crime da 113 Sul", lançado pelo Globoplay em 2025.
Com a decisão, Adriana voltou a ser ré pelos crimes, mas as provas e os depoimentos colhidos desde 2010 foram anulados.
Entenda o caso
Crime da 113 Sul ganha série documental no Globoplay
Em 2009, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, quadra nobre de Brasília, foram assassinados:
O pai de Adriana Villela, José Guilherme Villela, de 73 anos e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 38 facadas;
A mãe de Adriana, Maria Carvalho Mendes Villela, de 69 anos e advogada, com 12 facadas;
A empregada doméstica da família, Francisca Nascimento da Silva, de 58 anos, com 23 facadas.
Os corpos foram achados, já em estado de decomposição, em 31 de agosto de 2009, na Asa Sul.
A perícia demonstrou que as vítimas foram assassinadas em 28 de agosto de 2009, por volta das 19h15.
Adriana Villela é acusada de ser a mandante do crime. Com a decisão do STJ, de anular a condenação, Adriana voltou a ser ré.
Infográfico - Veja linha do tempo do Crime da 113 Sul na Justiça
Arte/g1
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