Estágio de coma de jovem espancado em briga por chiclete no DF é o mais grave, diz advogado da família
26/01/2026
(Foto: Reprodução) Briga por chiclete: 'Minha intenção não foi machucar, e sim apartar', diz piloto preso
O adolescente de 16 anos espancado durante uma briga em Vicente Pires, na última sexta-feira (23), continua em coma e em estado crítico. A informação foi confirmada ao g1 pelo advogado da família da vítima na manhã desta segunda-feira (26).
Segundo Albert Halex, neste domingo (25), a equipe médica tentou retirar os sedativos para ver se haveria reação do adolescente. O jovem teve espasmos na mão e, por isso, os médicos decidiram dar novos sedativos.
"É muito crítico. Ele está em coma Glasgow 3. Se ele sobreviver, provavelmente, ficará com sequelas", explica o advogado.
Na escala médica, que vai até 15, o número três é o mais baixo (entenda abaixo).
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O jovem agredido levou uma série de golpes e, ao se desequilibrar, bateu a cabeça em um carro (veja detalhes abaixo). O suposto agressor foi identificado como Pedro Turra, de 19 anos. Ele foi preso em flagrante, em casa, e é investigado por lesão corporal gravíssima.
Ele foi liberado após pagar uma fiança definida em 15 salários mínimos – R$ 24.315, em valores atuais. A decisão da audiência de custódia cita "relatório médico informando que a vítima encontra-se na UTI em estado muito grave".
Estágio de coma crítico
O nível 3 da Escala de Glasgow se caracteriza como o coma mais profundo, em que não há resposta a nenhum estímulo.
A escala vai de 3 a 15, sendo que no nível 15 o paciente não tem nenhum grau de redução das funções cerebrais e no nível 3 ele apresenta um estado de coma profundo, e não apresenta qualquer resposta ao exame físico específico.
De acordo com o Ministério da Saúde, há uma escala de pontuações que avalia o nível de consciência dos pacientes:
abertura ocular: espontânea (4); à voz (3); à dor (2); nenhuma (1).
resposta verbal: orientada (5); confusa (4); palavras inapropriadas (3); palavras incompreensíveis (2); nenhuma (1).
resposta motora: obedece a comandos (6); localiza a dor (5); movimentos de retirada (4); flexão normal (3); extensão anormal (2); nenhuma (1).
resposta pupilar: reação bilateral ao estímulo (2); apenas uma reage ao estímulo (1); nenhuma (0).
Como foi a briga
Jovens trocam socos e murros em Vicente Pires por conta de chiclete.
TV Globo/Reprodução
O depoimento de Pedro Turra à Polícia Civil, logo após ser preso em flagrante, durou pouco menos de 4 minutos. No vídeo, o empresário narra que estava com amigos em um carro, e que só foi ao condomínio em Vicente Pires porque um desses amigos queria encontrar uma ex-namorada no local.
"Eu e meus amigos, a gente tem uma brincadeira de ficar jogando chiclete nos outros. Eu joguei no Luquinhas, a gente ficou rindo, e alguém falou: 'foi quase no Rodrigo'", narrou Turra.
Rodrigo, mencionado nessa parte do depoimento, é o adolescente que se envolveu na agressão e foi hospitalizado. O g1 optou por não divulgar os dados dele, por ser um menor de idade.
"E aí, ele [Rodrigo] já falou: 'Se fosse em mim, eu ia quebrar na porrada'. E eu achei que ele estava brincando, porque antes ele estava brincando comigo. A gente estava lá conversando e tudo. Aí, eu desci do carro e falei 'então fala na minha cara'", seguiu Turra.
"Ele falou na minha cara e eu dei uma empurrada nele, porque estava muito perto. Ele veio para dar um soco em mim, aí começou. Nos vídeos, você que eu estava tentando apartar, só que ele não parava. Aí, eu tive que... se não, ele não ia parar", narrou no depoimento.
Outros amigos de Pedro Turra que estavam no local também falaram à Polícia Civil como testemunhas.
Alguns disseram ter visto o adolescente manuseando um "canivete" minutos antes do início da briga. O item não aparece nos vídeos de câmeras de segurança obtidos pela polícia até este sábado.
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