Fintech é acusada de desaparecer com ao menos R$ 335 milhões e omitir informações; polícia registra ocorrências no DF

  • 08/05/2026
(Foto: Reprodução)
Fintech é acusada de desaparecer com ao menos R$ 335 milhões e omitir informações; polícia registra ocorrências no DF Reprodução A fintech Naskar Gestão de Ativos passou a ser investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após clientes relatarem dificuldade para acessar valores investidos, problemas no aplicativo da empresa e falta de respostas da companhia. Segundo a PCDF, foram registradas quatro ocorrências policiais contra a Naskar, entre esta quinta-feira (7) e sexta-feira (8). O g1 apurou que duas empresas, somadas, estimam um prejuízo de pelo menos R$ 335 milhões (entenda abaixo). Os registros foram feitos em delegacias diferentes, e cada unidade ficará responsável pela apuração de forma independente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Considerando toda a operação da Naskar, a estimativa é de aproximadamente R$ 850 milhões em contratos e impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas, segundo informou o Grupo Nexco, uma das empresas contratantes. A Naskar informou, em nota (veja íntegra abaixo), que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados. Vídeos em alta no g1 Segundo a empresa, equipes técnicas trabalham na revisão e validação das informações para garantir a segurança e a precisão no tratamento dos dados. A companhia afirmou ainda que os clientes serão atualizados “o mais breve possível”. Os sócios-administradores da Naskar são Jose Mauricio Volpato — ex-jogador de vôlei, conhecido como Maurício Jahu —, Marcelo Liranco Arantes e Rogerio Vieira. Prejuízo de R$ 47 milhões Uma das ocorrências foi registrada pelo empresário do Wesley Miranda Albuquerque, sócio-administrador de uma empresa de planejamento financeiro em Brasília. De acordo com o registro policial, Wesley afirma que sua empresa atuava na indicação de clientes para produtos financeiros da Naskar e que, ao longo da parceria, cerca de 135 clientes fizeram aportes que somam aproximadamente R$ 47 milhões. Segundo o empresário, os problemas começaram nesta semana, quando pagamentos previstos para segunda-feira (4) deixaram de ser feitos, e o aplicativo utilizado pelos clientes para consultar saldos e solicitar resgates saiu do ar. “Meu dinheiro da vida está dentro dessa instituição. Minha mãe vendeu uma casa que ela tinha e colocou o dinheiro lá para viver da renda”, afirmou Wesley ao g1. Segundo Wesley, clientes e parceiros passaram anos confiando na empresa e nunca haviam enfrentado atrasos semelhantes. Wesley afirma ainda que representantes da empresa deixaram de responder mensagens, ligações e notificações formais, sem apresentar esclarecimentos sobre os valores investidos ou previsão de regularização. Segundo ele, após orientação jurídica, decidiu registrar boletim de ocorrência e entrar com medida cautelar na Justiça. “O medo é que essas pessoas estejam fugindo com o nosso dinheiro. A gente quer que o dinheiro seja bloqueado para ressarcir os clientes”, afirmou. Ação Judicial A crise envolvendo a empresa também motivou uma ação judicial do Grupo Nexco contra a Naskar Holding, após atrasos considerados inéditos em pagamentos e dificuldades de acesso à operação. Reprodução A crise envolvendo a empresa também motivou uma ação judicial do Grupo Nexco contra a Naskar Holding, após atrasos considerados inéditos em pagamentos e dificuldades de acesso à operação. Segundo a Nexco, os repasses previstos em contratos de mútuo — espécie de empréstimo entre as partes — deveriam ter sido feitos no primeiro dia útil do mês, mas não foram honrados. A empresa afirma que clientes e agentes também relataram impossibilidade de acessar o aplicativo, movimentar contas e obter respostas da Naskar. Para o grupo, a situação deixou de ser um atraso pontual e passou a representar uma “crise de confiança e de informação”. “O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação. A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial”, afirma o advogado Kauê Machado, que representa a Nexco e clientes. A empresa diz que cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à sua base podem ter sido afetados, com prejuízo estimado em R$ 288 milhões. A Nexco também afirma que não havia identificado, até então, qualquer sinal de irregularidade na operação da Naskar que justificasse a interrupção ou inviabilizasse a comercialização dos contratos. A companhia diz ainda que seus próprios diretores e colaboradores estão entre os prejudicados e que passou a organizar ações judiciais para reunir os clientes afetados e buscar reparação. Reclamações Clientes da Naskar passaram a relatar problemas na plataforma e dificuldades para acessar valores em publicações no site Reclame Aqui. As queixas mencionam indisponibilidade do aplicativo e falta de comunicação por parte da empresa. “Estou sem acesso ao banco Naskar há vários dias. Aparece uma mensagem de problemas no sistema. Quero resgatar meu dinheiro”, escreveu um usuário de Brasília. Outro cliente, do Paraná, afirma que o aplicativo saiu do ar sem aviso prévio e relata prejuízo financeiro. "Desde segunda-feira, sem nenhum comunicado por parte da instituição. O aplicativo sumiu do ar e todo o meu dinheiro investido simplesmente desapareceu do dia para a noite. Foram anos trabalhando”, disse. Há ainda relatos de ausência de posicionamento oficial da empresa diante da situação. “Até o presente momento, não houve qualquer comunicado oficial por parte da Naskar que justificasse o bloqueio dos valores ou que apresentasse um cronograma de devolução”, diz outra reclamação. As manifestações reforçam o aumento da insatisfação entre clientes e a pressão por esclarecimentos sobre a situação da empresa. O que diz a Naskar Gestão de Ativos “A Naskar informa que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados. As equipes técnicas seguem atuando na revisão e validação das informações para garantir segurança e precisão no tratamento dos dados. Os clientes serão atualizados o mais breve possível", O que diz o Grupo Nexco "Nexco entra com processo contra Naskar após atraso inédito e falta de informações sobre contratos de mútuo Grupo ajuizou ação com pedido cautelar para resguardar seus direitos e os de clientes afetados; empresa afirma que também foi surpreendida pela interrupção operacional e pela ausência de respostas. O Grupo Nexco ajuizou ação contra a Naskar Holding após uma sequência de fatos que causaram forte insegurança sobre o que ocorreu com a operação. Conforme a sistemática contratual, os pagamentos que deveriam ocorrer sempre no primeiro dia útil de cada mês, não foram honrados, e a medida judicial foi adotada após a confirmação da impossibilidade de acesso ao aplicativo, movimentação das contas e a ausência de resposta às tentativas de contato por clientes e agentes. Na avaliação da companhia, o ponto que transformou a situação em crise foi justamente o fato de que esse atraso nunca havia ocorrido, somado à falta de transparência dos sócios da Naskar sobre a origem do problema e os desdobramentos da operação. A Nexco afirma que, até o momento, também não recebeu esclarecimentos consistentes sobre o que de fato aconteceu, o que levou à adoção das medidas judiciais cabíveis. “O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação. A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial para resguardar direitos e buscar esclarecimentos”, afirma Kauê Machado, do escritório Machado Gobbo, que representa o grupo e alguns clientes. A empresa destaca que os instrumentos firmados com a Naskar são contratos de mútuo, isto é, contratos de empréstimo com amparo no Código Civil, com previsão de prazos, condições de devolução e remuneração pactuadas entre as partes. Segundo a Nexco, trata-se de uma relação civil contratual, e não de produto financeiro ou investimento regulado pelo mercado de capitais. A companhia também ressalta que sua atuação comercial sempre envolveu diferentes soluções e modalidades contratuais, como seguros, consórcios e outros produtos que igualmente não se enquadram como investimentos financeiros. No caso da Naskar, a Nexco afirma que a comercialização ocorreu porque acreditava na regularidade da operação e na transparência apresentada pela empresa, posicionando-se também como cliente. De acordo com a companhia, a própria Nexco foi diretamente atingida pela situação, uma vez que Diretores e diversos colaboradores do grupo aderiram à solução e hoje figuram entre os prejudicados, ao lado da própria empresa. “Tão logo a gravidade da situação foi verificada, a Nexco acionou seu corpo jurídico para dar suporte aos parceiros e clientes. A partir daí, foi estruturado o procedimento para adesão dos prejudicados, com o objetivo de permitir que essas pessoas integrem os processos de forma conjunta e tenham seus direitos resguardados de forma organizada”, afirma o advogado. A estimativa apresentada pela companhia é de que cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à base da Nexco tenham sido afetados, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 288 milhões. Considerando toda a operação da Naskar, mensura-se que a empresa possui cerca de R$ 850 milhões em contratos de mútuo, com impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas. A Nexco afirma ainda que, até o surgimento do problema, não havia identificado em registros públicos ou em suas verificações qualquer sinal que indicasse irregularidade capaz de inviabilizar a continuidade da comercialização do produto. Segundo a companhia, não houve alerta prévio de órgãos como Procon ou Ministério Público que apontassem, até então, qualquer impedimento conhecido em relação à atuação da Naskar. Para o grupo, a ação judicial tem dupla finalidade: buscar proteção patrimonial e documental para os afetados e, ao mesmo tempo, forçar o esclarecimento institucional sobre a dimensão do problema. A companhia diz que seguirá concentrando sua comunicação por meio da assessoria jurídica e de imprensa, e que manterá os afetados informados dentro dos limites processuais. “O Grupo Nexco lamenta profundamente o ocorrido. A companhia acreditou na operação apresentada pela Naskar, assim como seus clientes, colaboradores e diretores. Diante do atraso inédito, da frustração das expectativas de pagamento e da falta de transparência dos sócios da empresa, a via judicial foi a medida necessária para buscar esclarecimento, responsabilização e resguardo de direitos”, afirma a banca. A Nexco diz que continuará acompanhando o caso e reforça que sua postura seguirá pautada pela escuta dos afetados e pela transparência possível dentro dos limites do processo judicial. A empresa afirma ainda que a divulgação do episódio também busca alertar o mercado para evitar que outras pessoas sejam expostas à mesma situação." 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FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/05/08/fintech-e-acusada-de-desaparecer-com-ao-menos-r-335-milhoes-e-omitir-informacoes-policia-registra-ocorrencias-no-df.ghtml


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