Homem que morreu na antessala de UPA no DF passou mais de 12 horas no local; veja imagens
22/06/2026
(Foto: Reprodução) Homem morre sem receber atendimento em UPA do DF
O homem de 49 anos que morreu dentro de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) no Recanto das Emas, no Distrito Federal, no último sábado (20), passou mais de 12 horas na sala de espera.
Imagens feitas pelas câmeras de segurança do local mostram que Vilmar Pereira da Silva chegou ao local em uma cadeira de rodas, às 21h14 de sexta-feira (19).
De acordo com o Instituto de Gestão Estratégica do DF (Iges-DF), que administra a UPA, a morte foi constatada por volta das 14h30 de sábado (veja detalhes mais abaixo).
O governo do Distrito Federal (GDF) afirma que o homem não procurou por atendimento. Em uma rede social, o secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, disse que Vilmar Pereira "costumava pernoitar no local".
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Veja abaixo a cronologia dos fatos, com imagens:
21h14 - Vilmar Pereira chega à UPA, já na cadeira de rodas que utilizava
Vítima que morreu em antessala de UPA no DF chegou ao local às 21h14
Reprodução
21h18: Vilmar é levado por um vigilante para perto das cadeiras onde pacientes costumam esperar por atendimento
Vítima que morreu em antessala de UPA no DF chegou ao local às 21h14
Reprodução
23h07 - Vilmar aparece na frente da porta do banheiro
Homem que morreu em antessala de UPA no DF chegou ao local às 21h14
Reprodução
02h43 - Vilmar aparece no canto da sala, com um cobertor sobre as pernas; outras duas pessoas dormem nas cadeiras da UPA
Homem que morreu em antessala de UPA no DF chegou ao local às 21h14
Reprodução
02h44: Um vigilante conversa com Vilmar
Homem que morreu em antessala de UPA no DF chegou ao local às 21h14
Reprodução
14h30: Pacientes que aguardavam atendimento perceberam que Vilmar não tinha sinais vitais
Paciente morre aguardando atendimento na UPA do Recanto das Emas, no DF
Arquivo pessoal/Reprodução
Família aponta descaso
Vilmar Pereira da Silva morreu em UPA do DF
Reprodução
A falta de movimentos de Vilmar chamou a atenção dos outros pacientes, e a morte foi constatada pela enfermeira Mayela Lima – que não fazia parte da equipe da UPA, e estava no local em busca de atendimento para a filha.
As filhas de Vilmar afirmam que o pai tinha problema com álcool e, por isso, vivia em situação de rua apesar de receber assistência da família. Ele já tinha buscado atendimento na UPA em outras ocasiões.
"Infelizmente, todas as vezes que ele foi internado, a gente via de perto o descaso, a forma como tratavam o meu pai. Às vezes, a gente pedia um acessório e, como era meu pai, eles falavam que tinha que esperar. 'Já vou lá, não era nem para ele estar aqui, isso não é caso de ficar internado aqui'", diz Eveylye Pereira.
O que diz o governo?
Em nota no sábado, dia da morte, o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (Iges-DF) afirmou que estava "apurando as circunstâncias do óbito".
Segundo a entidade, o homem não tinha ficha de atendimento aberta na UPA e não tinha passado por triagem ou avaliação. Após a constatação da morte, a filha do homem foi comunicada e recebeu atendimento da equipe de serviço social da UPA.
Em nota divulgada no domingo (21), a Secretaria de Saúde diz que "não será admitido e nem aceito qualquer indício de omissão ou ausência de atendimento a qualquer cidadão que busque assistência em nossa rede de saúde".
"Embora [o paciente] não tenha sido registrado como paciente da unidade no momento do ocorrido, é fundamental esclarecer todos os fatos e verificar se os protocolos adotados foram adequados", segue a pasta.
Em uma rede social, o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, diz que o homem "costumava pernoitar no local" e que pediu a abertura imediata de uma sindicância para apurar o caso. Já a governadora do DF, Celina Leão (PP), usou uma rede social para prestar solidariedade à família de Vilmar.
"Já determinei à Secretaria de Saúde e ao Iges que apurem com rigor às circunstâncias do falecimento dele na unidade hospitalar e responsabilizem àqueles que não deram o adequado atendimento", escreveu Celina.
O que diz o Iges
"O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) informa que está apurando as circunstâncias do óbito de um homem ocorrido neste sábado (20), na recepção da UPA Recanto das Emas.
A vítima, identificada como pessoa em situação de rua, não possuía ficha de atendimento aberta na unidade na data da ocorrência; não havia passado por classificação de risco ou avaliação assistencial. Por volta das 14h30, a equipe assistencial foi acionada por pessoas que estavam no local para verificação do seu estado de saúde.
Profissionais de saúde realizaram avaliação imediata e constataram a ausência de sinais vitais. Em seguida, foram acionadas a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para os procedimentos legais e apuração dos fatos.
A filha do homem foi comunicada e recebeu acolhimento e orientações da equipe de Serviço Social da unidade, conforme os protocolos estabelecidos.
O IgesDF permanece à disposição para os esclarecimentos necessários."
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