Mortes no Hospital Anchieta: médicos que tiveram senhas usadas por técnicos de enfermagem prestam depoimento à polícia

  • 22/01/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia investiga três homicídios na UTI de um hospital particular, em Taguatinga Dois médicos intensivistas da UTI do Hospital Anchieta prestaram depoimentos à Polícia Civil sobre as senhas terem sido usadas pelos técnicos de enfermagem suspeitos de assassinar três pacientes que estavam internados na unidade de saúde de Taguatinga, no Distrito Federal. De acordo com a polícia, o objetivo é apurar se havia compartilhamento de senhas entre as equipes, que pode ter facilitado o crime, ou se a senha foi obtida de alguma outra forma ilegal. Além disso, a polícia investiga se houve negligência de algum profissional, já que a retirada de remédios desse tipo da farmácia do hospital deve ser acompanha por médicos da ala. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Segundo a investigação, um dos técnicos de enfermagem injetou doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usou o produto como um veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante na veia. Já as duas técnicas investigadas são acusadas de participar dos crimes "dando cobertura" ao outro técnico (entenda abaixo). Quem são os técnicos de enfermagem suspeitos? Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes na UTI do Hospital Anchieta. TV Globo/Divulgação Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos; Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. As identidades foram confirmadas pela Polícia Civil do Distrito Federal e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren) à TV Globo. Os três suspeitos estão presos. O técnico de enfermagem é apontado como o principal executor dos crimes. Ele confessou em depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (19). Marcela também confessou. Veja os crimes pelos quais os suspeitos são investigados, segundo a Polícia Civil: pela morte de Miranilde Pereira da Silva, os três suspeitos respondem por homicídio qualificado; pela morte de João Clemente Pereira, o técnico e uma técnica respondem por homicídio qualificado; pela morte de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, o técnico e a outra técnica respondem por homicídio qualificado. Após abrir a investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos. A defesa da técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa pediu à Justiça do Distrito Federal que ela seja transferida para a prisão domiciliar durante as investigações da Polícia Civil. Já a defesa de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo afirmou que as informações divulgadas até agora podem estar formando um “juízo público equivocado” sobre o técnico de enfermagem. O que já se sabe sobre as mortes no Hospital Anchieta, no Distrito Federal LEIA TAMBÉM: Professora, carteiro e servidor: quem são as vítimas Mortes no Anchieta: veja as datas dos crimes e da investigação em curso Piora súbita As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos Arquivo pessoal/Reprodução De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham gravidades diferentes. Em todos os casos, a piora súbita das vítimas chamou a atenção do hospital e dos investigadores. Nas imagens das câmeras de segurança da UTI, onde os pacientes estavam internados, a Polícia Civil percebeu que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora das vítimas. As vítimas são: a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, de Taguatinga; o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, do Riacho Fundo I; o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, de Brazlândia. Segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem Marcos o usou uma seringa para fazer 13 aplicações de desinfetante em uma das vítimas, uma mulher de 75 anos. "Em um dos casos, o medicamento acabou — ele injetou cerca de 4 vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela", disse o delegado Wisllei Salomão. Em outra ocasião, o mesmo técnico usou a senha de um médico da instituição para emitir uma receita fraudulenta do medicamento. Ele buscou o remédio na farmácia e aplicou nas três vítimas, sem consultar a equipe médica. A Polícia Civil do DF decidiu não divulgar o nome do medicamento. Polícia prende técnicos de enfermagem suspeitos de matar 3 pacientes de hospital no DF Duas aplicações foram feitas no dia 17 de novembro do ano passado e a terceira no dia 1º de dezembro. Segundo a Polícia Civil, para disfarçar a autoria do crime, o técnico de enfermagem fazia massagem cardíaca nos pacientes para tentar reanimá-los. Em nota, a família de João Clemente disse que acreditava que a morte tinha ocorrido por "causas naturais". A informação sobre a suspeita de um crime só chegou na sexta (16). Também em nota, o Hospital Anchieta disse que, "ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva", instaurou um comitê interno para investigar os casos e, a partir dos resultados, pediu a abertura de um inquérito policial. Hospital Anchieta em Taguatinga no DF. TV Globo/Reprodução A nota diz ainda que as vítimas foram informadas das suspeitas, "prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora" (veja as íntegras das notas abaixo). Prisões De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. A segunda fase da mesma operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/01/22/mortes-no-hospital-anchieta-medicos-prestam-depoimento-a-policia.ghtml


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