'Pior que um crime': pesquisa revela machismo, remorso e traumas na fala de homens condenados por feminicídio no DF

  • 12/06/2026
(Foto: Reprodução)
Violência contra a mulher, estupro, mão de socorro Nino Caré/Pexels "Bárbaro", "pior que um crime". As expressões foram usadas por criminosos condenados e presos por feminicídio, entrevistados para uma pesquisa inédita do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), divulgada nesta sexta-feira (12). Dos 50 presos atualmente pelo crime na capital, 39 aceitaram participar do "Panorama da Violência contra a Mulher no Distrito Federal". 🔎 Desde 2015, a capital registrou 242 vítimas de feminicídio, segundo dados do governo do D/F. Nem todos os entrevistados, no entanto, manifestaram esse remorso. Parte dos feminicidas tentou justificar o crime ao citar "sentimentos de vergonha e a dificuldades de encarar a 'ofensa à imagem' dos filhos". A maioria dos presos ouvidos disse acreditar que a morte foi uma "casualidade", não o resultado de uma relação frequentemente conflituosa, aponta a pesquisa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. "Em outros casos, o arrependimento foi mais autocentrado, relacionado ao sofrimento no ambiente prisional e ao fato de ter 'acabado com a vida dela e com a minha', além do desejo de mudar de cidade e de nome." Criminosos citam 'desrespeito à honra' Nas entrevistas com os autores de feminicídio, a pesquisa identificou uma "percepção" dos criminosos de que o crime tinha acontecido após situações de "desrespeito à honra masculina". Essa pretensa "motivação" aparece em episódios relatados como traição, disputas por autoridade, humilhações públicas e situações de rebaixamento. Os relatos também incluem acúmulo de pressões cotidianas, como trabalho, dívidas e problemas familiares. Ainda foram apontados a sequência de diversos fatores: uso continuado de drogas e álcool, combinado a ofensas e ameaças à denúncia policial. "Em contraste, alguns homens afirmaram não conseguir explicar as motivações para terem cometido o crime, vinculando o fato à embriaguez e às discussões acaloradas", destaca o levantamento. Socialização masculina As entrevistas também colheram depoimentos dos assassinos sobre o contexto social e familiar em que eles cresceram. Em comum, segundo o levantamento, os relatos apontavam uma trajetória marcada por "autoridade, punições, crença no dever de prover e dificuldade em solicitar ajuda". "Os entrevistados relataram e associaram a figura paterna à perspectiva de autoridade e rigidez, sofriam castigos físicos e já presenciaram situações de violência doméstica, onde geralmente o pai era o agressor da mãe." Figura paterna Além dos homens presos por feminicídio, a pesquisa também ouviu homens em diferentes regiões da capital. A eles, foi questionado sobre a presença paterna e o papel dentro da estrutura familiar durante a infância e a adolescência. O levantamento reforça "possíveis associações da ausência paterna e da reprodução de papéis de gênero desiguais", o que contribuiria com o comportamento – principalmente o violento – desses homens na vida adulta. ➡️ 65% desses pais faziam pequenos reparos em casa ➡️ 33% nunca participavam de reuniões escolares ➡️ apenas 18% preparavam as refeições com frequência ➡️ 44% nunca lavavam o banheiro de casa "Ambientes familiares violentos e traumáticos para crianças e adolescentes podem contribuir para a reprodução de violência no futuro, incluindo aquelas que atingem as mulheres", diz o estudo. Como denunciar violência contra a mulher? A Secretaria de Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP) tem canais de atendimento que funcionam 24h. As denúncias e registros de ocorrências podem ser feitos pelos seguintes meios: Telefone 197 Telefone 190 E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br Delegacia eletrônica WhatsApp: (61) 98626-1197 O DF tem duas delegacias especializadas no atendimento à mulher (Deam), na Asa Sul e em Ceilândia, mas os casos podem ser denunciados em qualquer unidade. Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) Endereço: EQS 204/205, Asa Sul Telefones: (61) 3207-6195 e (61) 3207-6212 Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (DEAM II) Endereço: QNM 2, Conjunto G, Área Especial, Ceilândia Centro Telefone: (61) 3207-7391 Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/06/12/pior-que-um-crime-pesquisa-revela-machismo-remorso-e-traumas-na-fala-de-homens-condenados-por-feminicidio-no-df.ghtml


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