Plano do governo do DF para salvar o BRB só deve ser concluído no fim de maio, reconhece banco
03/04/2026
(Foto: Reprodução) Caso Master: BRB não divulga balanço de 2025 no prazo
O Banco de Brasília (BRB) reconheceu, em nota divulgada na noite de quinta-feira (2), que as ações do governo do Distrito Federal para recompor o patrimônio do banco só devem ser concluídas no fim de maio – ou seja, daqui a quase dois meses.
A informação consta em uma nota divulgada ao mercado, em redes sociais, para comentar a decisão da agência Moody's de rebaixar a classificação de risco do banco. A Moody's apontou, inclusive, risco de que o BRB passe a dar calote em seus compromissos (entenda abaixo).
No comunicado, o BRB afirmou que a decisão da agência "reflete um momento específico, relacionado ao processo de capitalização em andamento e à atualização das demonstrações financeiras".
"Esse é um cenário transitório e o acionista controlador [governo do DF] já possui medidas estruturadas de capital, com previsão de conclusão até o final de maio", segue o comunicado.
Desde que a crise do Banco Master explodiu e o BRB se viu em apuros para recuperar os R$ 16,7 bilhões injetados na instituição, o governo do DF preparou um extenso cardápio de medidas para tentar restabelecer as finanças do banco estatal.
As opções incluem:
um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), ainda em estágio inicial de formalização;
a emissão de novas ações em bolsa, para captar até R$ 8,8 bilhões no mercado financeiro – uma assembleia foi convocada para o próximo dia 22 para votar a proposta;
a composição de um fundo imobiliário com lotes públicos do governo do DF – já autorizada pela Câmara do DF, mas alvo de contestações na Justiça e ainda não concretizada;
a venda de ativos do próprio BRB e a securitização de parte desses ativos – ou seja, transformar esses direitos futuros em dinheiro presente, por um valor menor;
ações na Justiça para bloquear bens do Banco Master e de seus sócios para ressarcir o BRB em uma eventual condenação judicial – ou em um acordo de delação premiada;
um possível pedido de ajuda ao governo federal e a bancos como a Caixa e o Banco do Brasil.
Até esta quinta-feira (2), nenhuma dessas ações tinha sido concluída ou lançada formalmente no mercado.
O BRB nunca divulgou um número exato, mas o mercado estima que o rombo aberto no patrimônio da instituição supera os R$ 8 bilhões.
A decisão da Moody's
"A qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de default, sem a concretização de um aporte de capital", diz o comunicado.
🔎 "Default" é o termo utilizado quando uma instituição não consegue honrar suas obrigações financeiras, ou seja, entra em risco de calote.
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Segundo o comunicado da Moody's, o rebaixamento do BRB reflete a provável necessidade de injeção de capital na instituição. O banco chegou a convocar uma assembleia para o dia 22, para tratar da ampliação do capital.
A agência também apontou que essa necessidade foi intensificada pela ausência de um plano de recomposição, após as operações malsucedidas com o Banco Master.
Outro ponto destacado foi a ausência de divulgação das demonstrações financeiras dentro do prazo regulamentar, que terminou na terça-feira (31), o que "aumenta incertezas relacionadas a sua saúde financeira e posição patrimonial".
Banco de Brasília (BRB)
Jornal Nacional
BRB descumpriu prazo legal
O BRB não cumpriu o prazo definido em lei para divulgar o balanço consolidado de 2025, que terminou na terça-feira (31). Em um comunicado publicado na terça, o BRB informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação será postergada em razão da necessidade:
"de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação 'Compliance Zero';
"da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos."
Segundo a Moody's, o não cumprimento do prazo "contribui para o aumento da incerteza quanto à situação financeira atual do banco e à sua capacidade de geração de novos negócios.
"Na avaliação da Moody’s Local Brasil, a ausência dessas informações potencializa o risco reputacional do banco, comprometendo a percepção do mercado sobre a sustentabilidade das suas operações", diz a agência.
Provável 'default'
Logo da Moody's na sede da empresa em Nova York
REUTERS/Brendan McDermid
A Moody's lembra que o BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal. De acordo com sua análise, um eventual "default" do banco poderia gerar "sérios problemas de imagem e reputação para o governo".
"Notamos a dificuldade do GDF de levantar os recursos na proporcionalidade em que o BRB necessita. Ainda, o BRB demonstra indícios de fragilidades relevantes em sua estrutura de governança corporativa", diz a Moody's.
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