Virginia Fonseca e Blaze: servidores do MP se cadastraram em site de aposta para colher provas
09/07/2026
(Foto: Reprodução) A influenciadora e empresária Virginia Fonseca fala após ser chamada para prestar esclarecimentos à CPI das BETS, no Senado Federal, em Brasília
Andressa Anholete/Agência Senado
O Ministério Público do Distrito Federal apresentou uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e o site de apostas Blaze, segundo confirmado pelo g1 nesta quinta-feira (9). A Justiça ainda deve analisar a petição.
🔎 Ação civil pública é um instrumento jurídico que tem o intuito de proteger os interesses da coletividade. Ela a é cabível para responsabilizar quem tenha causado danos morais ou materiais contra a sociedade ou grupos específicos.
Para colher provas para a ação, servidores do MP se cadastraram na plataforma para monitorar as ações de marketing da empresa. De acordo com o documento obtido pela reportagem, há o envio sistemático de e-mails promocionais.
"A prática evidencia uma estratégia agressiva de captação, arquitetada para forçar o engajamento do usuário logo nos primeiros minutos de acesso ao sistema", afirma o documento do MP.
Em nota, a defesa da influenciadora Virginia Fonseca disse que "refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores" (leia íntegra ao final da reportagem).
A Blaze afirma que não foi formalmente intimada e que "se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país". A reportagem tenta localizar a defesa de Virginia Fonseca.
Ainda segundo as investigações, o objetivo é induzir o consumo impulsivo de apostas e explorar vulnerabilidades.
Para os promotores, as escolhas de publicidade da empresa geram mais impacto entre populações de maior vulnerabilidade socioeconômica já que a "promessa de ganho rápido é vista como solução para pressão econômica".
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O que pede o MP
Segundo a ação do MP, obtida pela reportagem, há indícios de "práticas abusivas, retenção sistemática de valores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis".
A instauração do procedimento decorreu de dois vetores investigativos convergentes:
o recebimento de denúncias diretas de consumidores sobre retenção sistemática de valores depositados, bloqueio de contas e apresentação de justificativas genéricas;
e o recebimento de relatório técnico com mais de 42.000 reclamações registradas contra a plataforma.
Os promotores destacam uma série de direitos dos consumidores que precisam ser cumpridos pelas empresas de aposta e pelos influenciadores, como direito à informação adequada, clara e ostensiva e proteção contra práticas comerciais coercitivas ou desleais.
O MP pede uma indenização por danos morais coletivos de, pelo menos, R$ 120 milhões. Os promotores também pedem:
retirar publicidades que prometam lucros fixos, assegurem ganhos e/ou sugiram renda extra;
custear e veicular campanha de contrapropaganda educativa sobre os riscos do jogo patológico, o superendividamento e os direitos do consumidor.
Papel do influenciador
A ação do MP aponta que, a partir da publicidade feita por um influenciador, "o seguidor é induzido a imitar o comportamento da figura pública que admira, validando a aposta não como um jogo de azar imprevisível, mas como um método seguro".
"O consumidor não apenas confia na recomendação porque ela vem de alguém que admira e considera bem-sucedida, mas também porque a percebe como próxima, autêntica e digna de identificação", declara.
Ainda de acordo com os promotores, o alvo principal dessas campanhas abusivas são indivíduos em situação de hipervulnerabilidade econômica, atraídos pela "promessa ilusória de 'renda extra' e pela identificação afetiva com as figuras públicas contratadas".
O que diz a defesa de Virginia Fonseca
"A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.
Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.
A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda.
A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora.
A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca.
Nota jurídica assinada por: Sanderson Mafra"
O que diz a Blaze
"A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e Operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país. Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário."
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