Vorcaro interrompeu propina paga a ex-presidente do BRB após descobrir inquérito sigiloso, diz PF
16/04/2026
(Foto: Reprodução) Ex-presidente do BRB é preso em operação da PF
A investigação da Polícia Federal aponta que, apesar de terem combinado vantagens ilegais estimadas em R$ 146,5 milhões, o banqueiro Daniel Vorcaro não chegou a repassar toda essa quantia ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.
Segundo o inquérito, a propina efetivamente repassada a Paulo Henrique foi menor, de cerca de R$ 74 milhões.
O motivo: Vorcaro teria interrompido o repasse ao tomar conhecimento da existência de um inquérito – até então sigiloso – sobre essas transações.
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A investigação vazada para Daniel Vorcaro tratava justamente dos imóveis de alto padrão – que, segundo a PF, estavam sendo comprados pelo dono do Banco Master e transferidos para empresas ligadas a Paulo Henrique Costa.
Parte desses imóveis chegou a ser efetivamente comprada, em endereços em São Paulo e no Distrito Federal. O plano, no entanto, não foi concluído.
Até agora, foram identificados repasses que somam mais de R$ 74 milhões, ligados a seis imóveis: Heritage, Arbórea, One Sixty, Casa Lafer, Ennius Muniz e Valle dos Ipês.
A investigação também aponta que o advogado Felipe Mourão teria obtido, de forma irregular, cópias de documentos da investigação e enviado o material a Vorcaro por mensagens de WhatsApp em 24 de junho de 2025.
Apesar de esse envio formal ter ocorrido depois de uma mudança no comportamento de Vorcaro em relação aos imóveis, a polícia afirma haver indícios de que ele já sabia da investigação e já tinha freado o repasse da propina antes disso.
Quem é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso pela PF
'Interesse no deal' e trajetória de parceria
Em uma das conversas citadas na decisão, Daniel Vorcaro pergunta se Paulo Henrique Costa ainda tinha “interesse no deal” e ressalta a trajetória de parceria entre ambos. Afirma, inclusive, que teriam “um negócio de continuidade” e “centenas de ajustes ao longo da trajetória”.
🗺️"Deal" é a palavra em inglês para "acordo".
Paulo Henrique responde dizendo que seguia no acordo, que estava empenhado nele e trabalhando intensamente para resolver as pendências. “Estou com vc. Continuo no deal mode. Estou virando noite e tentando resolver”.
Para os investigadores, esse diálogo indica que o então presidente do BRB, atuava dentro do banco em favor de Daniel Vorcaro.
Segundo a apuração, essas condutas poderiam configurar crimes como:
corrupção passiva
lavagem de dinheiro
participação em organização criminosa
e irregularidades contra o Sistema Financeiro Nacional.
Compliance Zero
Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa
Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília
A 4ª fase da operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas destinadas a agentes públicos.
Os agentes cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, são investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Em nota, o governo do DF afirmou que os fatos envolvendo Paulo Henrique Costa são de competência do Judiciário. "A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes", informou.
BRB e Master
O Banco de Brasília (BRB) é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra da banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação.
A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição. No entanto, o Banco Central vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.
Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.
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